quarta-feira, 2 de agosto de 2017

É raro chorar... mas acontece

Hoje, sinto-me tão triste. A bom rigor desde ontem à noite... Tão abandonada. Tão sozinha. Tão a precisar de alguém que me aconselhe, apoie, me dê calma neste caos que tem sido a minha vida. Sinto-me desamparada. Decisões difíceis à porta e sinto-me novamente sozinha. É um sentimento que se apodera algumas vezes. Sempre que me lembro que ela já cá não está, mesmo com todos os seus defeitos, precisava e preciso dela junto de mim. De ti Tavinho. Que só bem fizeste. E eu em troca...te afastei de mim. Nunca haverá ninguém como tu, com essa energia, com essa esperança na vida, com esse optimismo, com essa pro actividade, com essa preocupação com o outro, com tudo..... mesmo quando tu também tinhas todos os receios do mundo dentro de ti. Nem tenho coragem de me chegar perto por muitas saudades que tenha. É a vergonha que sinto. O saber que o tempo não volta atrás. Em tempos levava com as balas e seguia. Agora não. Penso que o nível de resistência diminuiu. A única pessoa que hoje recorri para desabafar foi aquela que me pediu para relaxar até segunda feira, para desligar a ficha e me dar os parabéns por todo o meu trabalho desenvolvido. Mas para relaxar porque se notava que estava na ruptura. E eu só consigo chorar. De cansaço. De tudo. E nada. Preciso da voz que me acalma. Mas perdi-a para sempre.

terça-feira, 18 de abril de 2017

nada

Há dias que 'sei' tudo, sinto tudo, alcanço tudo, sou uma super e magnífica tudo.
Há outros que não sei nada.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

dava jeito amnésia temporária

Já tive a memória das tragédias da minha vida mais curta, e isso entristece-me. Tinha um género de sensor em mim que eliminava em pouco tempo todas as mágoas, todos os falhanços, todos os nãos que me davam. Eu era mesmo boa nisto, garanto. Confesso que era uma qualidade poderosa, e que muito bem me fez e ajudou. Ninguém imaginava que por detrás da minha enorme simpatia havia uma história dura para contar, mas eu nem me lembrava dessa história. Era esse o segredo. Não pensar, não dar valor ao que poderia ter estragado para sempre a minha vida. A minha resiliência foi posta à prova todos os dias. Consegui manter as mãos no volante e segui sempre os meus instintos e filosofia de vida. Eu tinha objectivos, talvez fosse essa a diferença. A minha força. A minha fé na conquista. Não sendo vingativa, desejava com um grande sorriso, mostrar a um sem número de gente, que afinal, eu não era aquilo em que me quiseram transformar. Eu era mais, muito mais. Hoje, já dou por mim a pensar demasiadas vezes em memórias, a dizer 'há um ano aconteceu isto e isto' e não quero voltar a esses momentos, dou por mim a não esquecer o que já devia ter esquecido, como fiz belíssimamente com um outro passado, que não foi de todo, mais encantador que este passado mais recente. Martirizada com algumas opções é como me sinto. Vou seguindo com a convicção que a vida é isto, mas também que a felicidade é uma bela sintonia entre sorte e escolhas bem feitas. Se escolho mal, já é meio caminho andado para correr mal. É este o meu calcanhar de aquiles.
Sinto-me jovem, irei sentir sempre até que a minha alma grite o contrário. O peso de fazer trinta é o peso de também querer endireitar o rumo da minha vida. Estou cansada, farta, desiludida. Neste último ano envelheci, sobretudo cá dentro, onde ninguém vê. É como se os holofotes se tivessem apagado e mais ninguém os soubesse ligar de novo. Com trinta, e não tendo sonhado durante uma vida inteira em ter filhos, é aquela altura em que todos avançam para essa etapa e eu fico a ver. Nessa incógnita, do sentido da vida. Dou por mim a balancear sobre muitos pensamentos, a tentar corrigir-me, com os professores da vida. Esses safados que insistem no problema até que ele seja resolvido. Se há uns anos precisava de memofante e ampolas para a memória de formiga, agora preciso de paz, descanso e amnésia temporária.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

apaixonei-me outra vez

Vi hoje um filme. Estranho. Apesar do conteúdo ter um objectivo direccionado, que em pouco ou nada me revi, vi-me lá noutras situações, assim, escarrapachada. Pelo menos assim me via. Uma miúda com ar angelical [vá eu nem tanto], vestida de forma simples, em que a maioria talvez não daria nada por ela, a engolir as palavras pela timidez e falta de confiança, a tropeçar no chão com a falta de jeito e simplicidade de ser... Apaixonada por um homem, mais velho, assim charmoso, muito mesmo, com aquele semblante um pouco pesado, de cara fechada, sobrancelha semi franzida, com o pormenor do risquinho no meio da testa, fugindo ao de leve um sorriso, que era arrebatador. Ele muito bem vestido, de fato e sapatos a condizer, com um bom carro a acompanhar todo o cenário. Até a forma como ele a protegia... A forma como ele aguentou até lhe dar o primeiro, inesquecível e estrondoso beijo... Ela não sabia às vezes que sentimentos eram estes, se eram mútuos... e o facto dela se subvalorizar por 'ter' ali tal pedaço de homem, fazia com que as palavras nem sempre chegassem como ela gostaria, mas ele gostava dela e esse sentimento prendia-a e crescia. Não haviam certezas de nada, mas sentiam-se coisas muito boas. As palavras não chegavam como ela queria porque as dúvidas não foram esclarecidas na hora certa, por fraqueza, por medo, medo de um não... Não te quero. Aquele filme fez-me lembrar do início ao fim dele, aquele homem de negócios, bonito, bem vestido, charmoso, persuasivo, viciante...eras tu. E eu... Apaixonei-me outra vez.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

do que fica

[ouvir]

aprendi a ficar em silêncio, a não procurar. a deixar. mesmo que a vontade seja maior que eu. aprendi que na vida umas vezes ganhamos outras perdemos. e eu assumidamente perdi, tudo. a partir do momento em que a minha alma desaparece o resto não existe mais. é só um corpo a circular por aí, mais nada. aprendi que a minha dor sendo causada por mim própria[grande parte] , a cura tem que passar por uma aprendizagem que eu própria defini. ficar em silêncio e deixar quem eu deixei. agora não faz sentido. e acredito que também é preciso coragem para deixar. as pessoas não merecem isso. e eu fico, aqui. perto, mas longe, tão longe. é raro ficar com este sentimento de perda, de ' e se...'. são as escolhas! é a vida! detesto ouvir isto, mas de facto é assim mesmo, é a vida. tento todos os dias não me martirizar e acreditar que não sou pior pessoa por errar, por ter errado, mas tem sido um processo difícil acreditar naquilo que tento transmitir a mim mesma. apesar de ter nas veias o sangue de guerreira, muitas noites e dias andei a rastejar para acreditar que a vida valia a pena. acho que por ter passado tanta 'guerra' em tão poucos anos de vida [já não são assim tão poucos mas...ok], e ter saído sempre forte e com boas decisões na maior parte das vezes,  me censuro estupidamente por ter errado desta vez, seguidamente e de alto a baixo. mas porquê? olho para aqueles dias e só me questiono mas que raio se passou? podia ter sido o melhor de dois mundos ou o pior deles. não sei. mas pela primeira vez me questiono sobre o que aconteceu, logo eu que não sou cá de marinar nos assuntos eternamente. isto só acontece porque se calhar podias ter continuado a ser a maior alegria dos meus dias e realmente não foste. fica o sentimento no ar, o meu sentimento. o meu. tento levar isto para a frente mas é como se tivesse uma cratera dentro de mim. um buraco enorme. e pela primeira vez assumo que as coisas foram tão más, mas tão más que é impossível esquecer-me de tudo com a mesma ligeireza com que que me esqueço de todos os outros assuntos difíceis. finjo que já passou, que isto e aquilo, que tinha que ser assim, que ...mas não. tudo parvo. tudo mentira. é uma coisa que está ali no canto do meu cérebro tonto. e não vai embora. não tenho dúvidas que vão passar mil anos e isto nunca acabará. e agora? [como diz a música...] tudo o que eu queria e tinha, se transformou em nada, ficou um vazio infinito. como forma de me 'curar', vou enfrentando os sentimentos como eles são. parece que o tempo não passou, ridículo isto, mas real. as memórias acentuam-se quando já deviam se desvanecer, acreditar que não é tarde demais para seguir em frente e seguir dia após dia. acreditar que o melhor que tive na vida, foi isso mesmo, o melhor que tive na vida. 

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

sem ti

As lágrimas começaram a escorrer pela cara quando esta música começou a tocar... ontem, mais estafada que sei lá o quê, decidi que enquanto o forno não se desligava, ia organizar a casa, organizar tudo para me sentir também de cabeça arrumada. Já ia para as 2h da manhã. O cérebro cansado, a alma viva com o que tinha acabado de encontrar. Senti o mundo parar. Não ouvi nada a seguir. Li aquelas cartas igual ao que se vê nos filmes, em que a voz de quem as escreveu ecoa na cabeça, como se ali estivesses, sentado ao meu lado. Não consigo deixar de voltar a chorar, enquanto agora mesmo escrevo isto. Não foi por ler o que li que despertou seja o que for, mas acentuou aquilo que já sabia. Saudades. A importância que tiveste na minha vida é superior àquela que tu alguma vez possas imaginar. Há pessoas que nos marcam. Cravam a alma. Fica ferrado na pele. Bons sentimentos. O teu abraço faz-me falta, porque eu vou guardar-te da forma mais bonita que alguma vez guardei alguém. E proteger-te. Ainda hoje me questiono das escolhas. Me censuro das mágoas. Magoei-te a ti e a mim meses a fio. Fiz bem? Fiz mal? Não sei. Há dias que acho que fiz bem, há dias que acho que fiz mal. Tento evitar os pensamentos de crucificação. Com a devida distância, e recordando algumas coisas, principalmente os textos que escreveste de peito aberto (no blog) aos quais eu desconhecia, senti coisas diferentes das quais eu vivia convicta. Precisava de saber. Podia ter sido diferente. A minha determinação disfarça a minha insegurança... e precisava tanto de saber que era mesmo importante para ti... nem sei porque estou a falar disto agora... talvez porque sinto a tua falta. A tua magnifica boa energia, o puxares por mim e as tuas injecções de vida em mim. Porque os meus objectivos se cruzavam com os teus, e estávamos ancorados a bons sentimentos. E por muito que isso te custe acreditar, também sempre estive ancorada a ti. Simplesmente forcei-me a deixar o barco soltar-se de mim, tudo porque entendi o contrário. Acreditei que forçar algo era possível. Não sei se estive certa alguma vez, Se voltasse atrás, possivelmente faria tudo diferente. Com alguma distância, meses muito duros (para ambos), consigo ter noção de ti...e de mim. A vida ensina-nos e coloca-nos no lugar, dure o tempo que durar. Vou encarar isso como o encanto da vida, mesmo que tenha perdido o homem da minha vida.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

ela [só] quer paz

Sorrio, contemplo um mundo inteiro de mim. Dou todos dias o litro para dar aos outros o que eu também preciso de receber. É imensamente difícil este trabalho, mas vou por esse caminho desafiante, que me define de certa forma.  Não vou pelo caminho mais fácil, como vai a maioria. Acordo todos os dias, sem a emoção que gostaria. O ar parece tóxico e a luz do verão parece que não é a mesma de outros tempos.
As pessoas desiludem e eu nem peço assim tanto.
Amanhã é um novo dia, mas eu serei a mesma.
Cada vez mais convicta que sou a pessoa mais importante do mundo, mesmo que o mundo me diga o contrário.

segunda-feira, 21 de março de 2016

[in] certezas

Dou por mim a divagar em dúvidas que antes eram certezas.
Dou por mim a ter certezas que antes eram dúvidas.
Mas, na realidade, certezas só há uma, aquela que todos nós sabemos.
Certas palavras custam de certo modo a sair da boca. Da minha boca. Na boca dos outros, existem palavras que só servem para nos colocar em transe. E saiem com uma tal força que entram e destroiem pedaços da alma. Assim como num estado de menos importância. De seres menos. De revolta e certa vingança. A ti. As palavras saiem e dirigem-se. Não sei para onde. Não sei para quê. Não sei para quem. Não sei. Mas saiem. E eu amparo. E perduram no tempo. Cravadas em mim.
Existem coisas que... Só o tempo esclarecerá. Existem momentos que o tempo nunca apagará. Mas existe um processo que sempre perdurará. Eu.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

aquela coisa...


Apesar de todas as circunstâncias, não me senti tensa, preocupada ou qualquer tipo de sentimento semelhante. Estava tranquila, relaxada, solta e nada mais nada menos do que eu própria, coisa que outrora não aconteceu. Estive confiante em todos os momentos, como sou, no meio da minha gente, que também é tua. Sabia que estava contigo, que todas as palavras mal ditas não estavam reservadas para estes dias. Sabia que podia confiar. A primeira coisa que reparei quando te vi, foi na tua barba. De 3 dias. Coincidência?Reparei depois no resto. Vi mais do que os meus olhos alcançam. Vi tanto que até me surpreendi, confesso. Parecia que nos tínhamos cruzado à poucos dias e que o tempo tinha parado no entretanto. Estranho. Senti todos os teus olhares não olhados. Descaradamente, olhei-te sem pudores, de cima a baixo, sempre que pude. Quis encarar-te. Na realidade, enfrentar-me a mim própria. Só podia receber-te assim. E desculpa se te incomodei com isso, se te 'obriguei' a olhar no meu olhar uma vez ou outra... Eram apenas 3 dias mal contabilizados para estar... e eu quis estar em todos os minutos, embora não conseguisse como gostaria. As obrigações da vida não me deixaram escapar para ti. Nunca me senti mal por estarmos lado a lado, embora noutro registo... O tempo foi escasso para tudo o que merecia ser contemplado com outro vagar. Daqui a 20 anos é tarde demais para voltar. Na dúvida, pedi-te um abraço de quem realmente só se voltará a ver daqui a duas décadas. E tu não me deste esse abraço. Aposto que voltas antes, só assim se justifica um abraço tão fraquinho. Tiveste sorte no tempo, que é completamente improvável neste pedaço de terra no meio do atlântico. Sol, céu azul e um mar sereno à tua espera, com mais três ilhas à vista. S. Pedro quis-te agradar! Eu não meti cunhas, não conheço nenhum Santo que me ajude. Gostei de conduzir e de te levar. Correu bem, tirando aquelas poucas vezes que me troquei toda. Vá, leva isso como uma-cena-fora-dos-planos-e-que-é-mega-divertida. Só posso pedir desculpa pelo combustível que te fiz gastar a mais, se ainda assim não achaste divertido. Mapas e ruas são muito fixes, mas não para mim. Gosto desse desligamento de andar sem rumo mas depois verifica-se que não dá assim muito jeito ser assim. O meu Norte fica sempre em casa e nunca entrámos à primeira em nenhum sítio que sugeri. Mas chegámos lá, ou não? Ah pois! Persistência acima de tudo. Ainda tivemos tempo para roubar fotos um ao outro e juntos até. Ficámos uns gatos! Mas sempre a 'correr'. Eu que gosto de fotos de meia hora. Ainda me ajudaste a escolher a prenda de aniversário da minha amiga e estávamos em grande sintonia. Sem grandes complicações e uma onda que fluía naturalmente. Levei-te a alguns sítios para almoçar e jantar, tive pena que nenhum tenha marcado a diferença no paladar como eu imaginaria. Dizes que chamo a atenção, por ser alta, loira. Tu, poderias ser uma cópia minha. Entras e tudo pára para olhar. Observar. A tua pinta. O charme e tudo o que mais transpareces. Há coisas que ou se tem ou, não se tem. Tenho a certeza que gostaste de cá estar. Tenho a certeza que gostaram que tivesses vindo. Esta ilha é minha, é tua, é nossa.

Continua...